domingo, dezembro 2

Momento presente


No portão de madeira perto da prainha se iniciava um caminho de pedras que ia subindo até o jardim. Uma casinha caiçara, rodeada de tanto verde e muita luz. Jaqueiras, cambucás, palmeiras, amendoeiras, e uma lista de perder os nomes, rodeavam aquele lugar que emanava alegria. 
Com um sorriso de orelha a orelha, me recebia Neuseli, a fada e Amiga, sua esperta cadelinha. Os passarinhos cantando pelos galhos em sinfonia com as ondas do mar. O bem-te-vi dava suas boas vindas, pedindo muita atenção. Logo mais, o carcará vinha pedir comida. 
Deitada no gramado, eu olhava o sol penetrando a copa das árvores. Naquele momento, o melhor lugar era onde eu estava. 

quinta-feira, novembro 29

O amor

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
- Fernando Pessoa 

Eu preciso encontrar um amor, que me deixe arrasado na cama. Um amor que desperte um desejo, um amor que me cale com um beijo, um amor que mova montanha. 

Um amor que não tenha capricho, um amor que me jogue no lixo, um amor que me pegue de jeito. 
- Chiclete com Banana , eu quero esse amor.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
– Luís de Camões  

Eu te amo porque te amo, 

Não precisas ser amante, 
e nem sempre sabes sê-lo. 
Eu te amo porque te amo. 
Amor é estado de graça 
e com amor não se paga.
– Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, novembro 20

Estrela, brilha!

Quero que saiba, acima de tudo, você é linda.
É lindo a maneira como você cuida dos outros e vê o mundo.
Queria também que soubesse que eu acredito em você. Mas isso não basta, você precisa acreditar em si.

segunda-feira, novembro 19

Amorosidade


Dizem que falta amorosidade entre as pessoas nos dias de hoje. O que exatamente isso significa?
Por Eugenio Mussak

-Há dois tipos de pessoas no mundo. As que vivem em estado de egoísmo e as que vivem em estado de amor.
Faz muito tempo que eu escutei essa ponderação de uma pessoa muito amorosa, inteligente e uma pianista excepcional: a professora Adelaide Moritz, minha mestra na música e na vida. Nunca me esqueci de sua análise por dois motivos: porque ao colocar “estado de” antes dos substantivos egoísmo e amor, ela criou uma nova classificação da condição humana; e porque ela qualificou o egoísmo como o antônimo de amor, e não o ódio, como seria de esperar.
Ela fez isso porque não se referia ao amor em si, e sim à condição de amar como um jeito de ser. É quase uma filosofia viver em estado de amor, o mesmo que estar conectado com o mundo por um cordão de luz, que ilumina as relações e as torna sempre agradáveis, independentemente de serem afetivas, familiares ou profissionais.
Por outro lado, viver em estado de egoísmo seria o mesmo que criar um cordão de isolamento que afasta as pessoas e condena seu “usuário” a uma vida pobre de espírito e curta de esperança. Viver em egoísmo significa querer só para si, não compartilhar, desconsiderar as necessidades e os sentimentos alheios. Ser um habitante do estado de egoísmo é o mesmo que declarar guerra ao mundo, usando como armas as palavras duras, a desconfiança permanente, o desrespeito latente.
Todos conhecemos pessoas dos dois tipos, mas vou falar aqui do primeiro jeito de ser, claro. Das pessoas que, por índole e por opção , vivem em amorosidade, o que não significa que não possam ser duras se isso for necessário para reinstalar a ordem no mundo ao seu redor. Lembro que a professora Adelaide era amada por seus alunos até quando, exigente, mostrava que não estava satisfeita com o desempenho deles. Pessoas amorosas são assim, são amadas porque são amorosas e são amorosas porque não têm medo de ser amadas. Há quem diga que amar é fácil e que ser amado é difícil. Os verdadeiramente amorosos deixam aberto o caminho nos dois sentidos.
Mas é importante esclarecer que ser digno de amor não é ser bonzinho, certinho, modesto e gentil para fazer amigos e influenciar pessoas. Isso é ser polido, amável. “A polidez é um simulacro da moral”, afirma o filósofo André  Comte-Sponville, que se seu ao trabalho de escrever o Pequeno Tratado das Grandes  Virtudes.
Ele afirma que agir de modo amável não é ser amoroso, mas é um bom começo. A esperança é que da polidez surja o nobre sentimento, mas nada é certo. Ao preencher o amor que lhe falta, por hábito ou por educação, a moralidade pode virar amorosidade, seu estado mais alto. Ao atingir esse auge, as virtudes se dissolvem e viram uma só, passando a ser praticadas sem artifício, ao natural, com amor verdadeiro.
Segundo essa visão, viver em estado de amor pode ser uma opção, algo que pode ser desenvolvido conscientemente, uma atitude que começa na mente e acaba instalando no coração um novo jeito de ser. E o mundo agradece por isso.

quarta-feira, novembro 14

ψυχαδερφή


Em um futuro não distante, pode ser que eu bata à sua porta aí do outro lado do mundo só para dizer Oi.

On the subway



Uma cidade. Seis milhões de pessoas. Cento e sessenta e um bairros.
Ruas, metrôs, ônibus, vielas. 
Um encontro inesperado. Uma pessoa e um comentário fútil. 

É de dar risada e partir o coração.
É de dar risada e de cuspir no chão. 

segunda-feira, novembro 12

Outubro, 2012


Faz pouco mais de um mês que eu resolvi mudar. Sim, eu larguei tudo. Mais uma vez. 
Em menos de uma semana, estava eu em uma nova cidade, reconstruindo sonhos e refazendo planos. Uma mochila cheia de esperança, um bolso com pouca grana e um coração bem aberto para as novas oportunidades. Mais uma vez eu me joguei de cabeça e resolvi dar chance para mim. Pensando em mim. 
Não é questão de egoísmo ou qualquer coisa do tipo. Dizem que a gente só pode cuidar do outro, quando primeiramente cuida de si e é preciso estar bem para fazer o bem. Foi isso que eu vim fazer.. Eu não sabia muito bem atrás do que estava vindo, mas vim. Dei minha cara a tapa, vim me permitir. 



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Na primeira semana, quando eu coloquei meu pé no chão e me perguntei "Que diabos realmente eu vim fazer aqui?", quando o dinheiro estava quase no final e eu não tinha ideia de que rumo eu ia tomar. Afinal, eu tinha um trabalho, estava  na casa de amigos e tinha pouco mais de duzentos reais. Em pouco tempo, as coisas clarearam na minha cabeça e eu comecei a correr atrás de um lugar para mim. Em duas tentativas fracassadas, uns calotes recebidos, acabei encontrando por acaso o lugar em que me encontro hoje. 


O quarto não é grande e ainda não tem a minha cara. A não ser pela bagunça ocasional que faço antes de ir para o trabalho e acaba se acumulando quando volto cansada e resolvo dormir. 

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Me esforço para acordar cedo. Existe algo que me impossibilita levantar quando o despertador toca. Nas inúmeras tentativas de trocar o toque, cheguei ao ponto de selecionar o canto de um galo. Não funciona.
Quando penso que vou conseguir acordar cedo e participar das refeições comuns, estou enganada. Confesso conseguir este feito ocasionalmente, mas não sempre. Não mais que duas vezes por semana. 

No caminho para o escritório, quase chegando. Tem um muro alto, com grade mais em cima. E de lá, ficam cãezinhos cantando uma musica de cachorro. Todo dia, sem hora marcada.. Eles fazem graça. 


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As vezes me pego no terraço, agradecendo ao Papai do Céu e sentindo saudade de pessoas. Matutando sobre coisa ou outra. Respirando vida. Amém. 


sábado, novembro 10

terça-feira, novembro 6

O meu amor, Chico Buarque.



O meu amor tem um jeito manso que é só seu e que me deixa louca quando me beija a boca. A minha pele toda fica arrepiada e me beija com calma e fundo até minh'alma se sentir beijada... O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes. Depois brinca comigo, ri do meu umbigo e me crava os dentes. Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz! Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que me deixa maluca, quando me roça a nuca. E quase me machuca com a barba mal feita e de pousar as coxas entre as minhas coxas quando ele se deita. 
O meu amor tem um jeito manso que é só seu, de me fazer rodeios, de me beijar os seios, me beijar o ventre e me deixar em brasa... Desfruta do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa.  
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz! Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz! 

sábado, novembro 3

Caminho





Me guio pelos trilhos 
Ida e volta 
Em cada esquina tem uma cor diferente 
Cada canto uma história para contar 

domingo, outubro 28

Novo lar


No subir e descer dos andares, vez ou outra esbarramos com uma senhorinha andando de vagar. 
As irmãs todas de azul fizeram um voto para servir. Uma residência de jovens que tem como mentora Maria Imaculada, santa que acolhia jovens. Bonita missão. 
Os largos e iluminados corredores parecem não ter fim. Escadas ligam setores e andares. Cada porta leva a um ambiente inimaginável. Após percorrer os infindáveis corredores e saborear as vistas das grandes janelas, no final do corredor da Ala 3 do quinto andar, a penúltima porta é a minha. 
Uma cama, uma mesinha, uma cômoda, uma janela, um armário embutido e uma mala carregada de esperanca. Lá seria meu novo lar. Estava feliz. 
Haveria que ter boa conduta e respeitar as regras. Compartilhar, cooperar e pertencer. Estava ainda assimilando isso tudo. Não me impunham nada, apenas abriam sua casa e me davam um canto por um preco amigável e a tranquilidade de uma nova família. 
Eu deveria providenciar todos os meus pertences para uso pessoal, desde utensílios de limpeza até minha roupa de cama. Adorável! Cuidar de minhas coisas, pensar em mim. Nada mal. 
Na manhã de sábado levei as poucas coisas que eu tinha, instalei em um canto do quarto e respirei fundo. Iria dormir a primeira noite na casa de uma amiga que era pròxima a residência. 
Ao atravessar a porta principal o meu coracão batia mais calmo e o silêncio do lugar me dizia que um novo tempo comecara. Meu coracão estava em paz. 


Referencial?

Hoje eu não conseguiria enumerar meus ídolos, meus gostos e hábitos. Gosto de coisas que nem sei o nome, outras me agradam no contato primeiro e que eu posso enjoar em menos de um mês. 

sexta-feira, outubro 19

Pela estrada a fora...



Existem momentos que a vida nos proporciona o poder de parar o tempo. Ao respirar fundo a gente analisa a nossa trilha como se estivesse em uma alta montanha, olhando para uma grande estrada contínua. É possível ver melhor onde existem falhas, apontar as qualidades e tentar vislumbrar um possível futuro. Nesta tentativa, respira-se fundo mais uma vez. Apesar de ser apenas um palpite, o ar aspirado é carregado de esperança. 
É possível entender as curvas, cada uma com o seu motivo específico. Enxerga-se os altos e baixos com mais sensatez... Nessa hora a vida passa como filme e as vezes até surgem vertigens. A vontade de chorar e de rir se misturam e a sensação é de tranquilidade. A certeza de que dias melhores virão. 

terça-feira, outubro 16

Um sonho simples


Acordou, tomou seu café, respirou fundo e sorriu. Olhou a sua volta, era o seu mundo, seu universo. 
Era o seu abrigo e seu endereço. O sentimento não era físico, mas referencial. 
É ali, ou lá. Aqui. Meu, mas pode ser nosso. 
Uma colcha colorida, uma toalha branca. Janelas e cortinas, ar e música a gosto. 
Era direito seu, sonho e ideal. Não o físico, nada de físico. Só a conquista, a identidade. Um lar. 

Um passo de cada vez

Essa vida brincalhona, que pinta o sete na estrada que a gente anda.. 
Como escadas que mudam de corredor, quando a gente pisca, mudou de rumo. Mas ainda assim, em cada degrau existe uma esperança, uma nova chance. É só seguir em frente.
Que em cada degrau exista um pouco esperança para renovar a caminhada
.

terça-feira, outubro 9

Pra rua me levar


Não vou viver como alguém que só espera um novo amor. Há outras coisas no caminho aonde eu vou. As vezes ando só, trocando passos com a solidão, momentos que são meus e que não abro mão. 
Já sei olhar o rio por onde a vida passa sem me precipitar e nem perder a hora. Escuto no silêncio que há em mim e basta... Outro tempo começou pra mim agora. 
Vou deixar a rua me levar,  ver a cidade se acender. A lua vai banhar esse lugar e eu vou lembrar você. 
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar, promessas que me fiz e que ainda não cumpri... Palavras me aguardam o tempo exato pra falar. Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir. Já sei olhar o rio por onde a vida passa, sem me precipitar e nem perder a hora. Escuto no silêncio que há em mim e basta. Outro tempo começou pra mim agora!

Ana Carolina 

segunda-feira, outubro 1

quinta-feira, setembro 27

Qualquer linha de raciocínio não se aplica, aqui vive-se o improvável e imprevisto.
E se tanto tentar entender, enlouquece. 
Quando tanto tentar ajudar, entristece. E se muito querer perto estar, desfalece. 

terça-feira, setembro 18

Cheia de mim

Tá sobrando eu nessa ilha, 
Tá sobrando mim naquele continente ali. 
Tá faltando espaço naquela praia para mim, 
tá sobrando vontade para seguir no rumo que tá faltando. 
Tô cheia de mim, assim 
Bem linda.
E não tem quem segure os meus impulsos infantis. 
Tô cheia de força e expectativa
Só não sei pra onde direcionar. 
Cheia de mim, assim. 
Bem eu, 
bem viva e incontida.
Sozinha e louca. 
Assim, toda
Cheia de mim. 

sexta-feira, setembro 14

à seco



Eu havia chegado cedo naquela noite. Eu nunca tinha estado ali, mas me sentia a vontade. Era só eu até então e outras pessoas que eu não conhecia. O ambiente era muito aconchegante, um café acolhedor, mesinhas pequenas e charmosas estavam à disposição de quem quisesse se acomodar. Paredes sutilmente enfeitadas, aquele ar vintage me deixava muito confiante.
Em alguns minutos chegou uma menina que parecia ser a garota mais meiga do mundo, aquela que todo cara gostaria de ter como namorada. Bonita, culta, bem vestida e irradiando uma mistura de charme com meiguisse sem tamanho. Ela se sentou a mesa ao lado, organizou algumas coisas em sua bolsa - não fiquei comendo com os olhos todos seus movimentos, mas reparei. Nesse remeleixo, tirou um livro de uma coleção ao qual eu possuo dois. Capa dura, azul, assemelhando-se à livros antigos, meio vintage.
Confesso não lembrar muito bem a ordem dos fatos daquela noite, eu estava um pouco ansiosa, fazendo coisas que ainda nem havia aprendido. Estava brincando de jornalismo e gozando a vida. Quando fui checar minha câmera notei que havia esquecido o cartão de memória da máquina fotográfica - como eu iria registrar? - e fui ao banheiro fazer alguma coisa. A menina estava lá, trocamos algumas palavras e depois estávamos sentadas na mesma mesa, conversando e comendo coisas deliciosas do café mágico.
Meio à nossas conversas, estava resolvendo a ausência do meu cartão de memória, fiz uns telefonemas e em poucos minutos ele chegaria para mim, lindo, memorável e 8GB. Conversamos sobre um pouco de nós, sobre o nosso motivo por estar ali, foi divertido. Eu pedi um quiche, e logo em seguida ela pediu outro. Acabei o meu e pedi um brownie que tinha certeza que não iria aguentar. Ofereci, estava uma delícia, só que eu havia acabado de comer um quiche de vovó e aí, fiquei empurrando o doce.
Pedi licença, fui resgatar meu cartão. Quando voltei, toda vitoriosa, tinha um rapaz conhecido dela próximo a nós. O convidei para sentar, todos sentamos e nos aninhamos em um universo nosso. Uma energia boa nos envolvia, contando coisas, falando de pessoas e ideias. Ansiosos pelo espetáculo que estava por vir. O amigo dela era uma pesso curiosa, aquele tipo de gente que você sente vontade de desmontar e montar novamente só pra conhecer cada peça, como um afetuoso brinquedo novo.
Pouco depois eu me dispersei, dei uma andada. Já estava perto de nove horas e o show ia começar. O espaço da recepção e do café já estávão bem cheios. As pessoas se aproximavam da porta principal e haviam seguranças contendo algumas pessoas. Tinha gente de todo tipo,  um público mix de folk, pop, indie e músicapopularbrasileira, gente.
As portas se abriram, as pessoas se acomodaram, o espetáculo ia começar. Para algumas pessoas aquela noite seria muito especial, para outras nem tanto. Eu fiquei com a sensação de que aquilo era mais familiar do que na verdade era e,  reveria muitas vezes  as pessoas que havia conhecido naquela noite.


quarta-feira, setembro 12

Diário de um dia






Acordei, vi nos eventos do Facebook que teria show da Roberta Campos no Teatro Rival BR, no dia seguinte já havia confirmado minha presença em outro show. Adiei os planos.
O show foi lindo, a energia de estar próxima. Após palco, espetáculo e músicas, pude conversar com ela. Falamos sobre sonhos, expectativas e realização. As fotos não conseguem expressar a alegria e o carinho. Obrigada, Roberta. Muita luz, realizações e alegria. 

Diário de um dia 

Aqui e alí

Vou ficar o tempo que preciso for pra te dar todo o amor necessário. Vou correr por toda terra a procurar seu olhar e o sorriso que é tão raro. A vida me fez pra ser feliz e o teu coração me diz o mesmo. Vou chorar, às vezes vou sorrir de amor, ser assim trazer o lado bom das cores. Vou somar os restos que você deixou, melhorar, reparando minhas dores. A vida me fez pra ser feliz e o teu coração me diz o mesmo... Solidão partiu, agora só você e eu aqui. Solidão partiu, agora só você e eu aqui, ali... pra ser feliz, pra viver, pra sonhar, pra sorrir ou chorar, assim, pra sempre... 

segunda-feira, setembro 10

Assim


Quantas e tantas vezes irei reler este poema. Tantas e muitas vezes publicarei este poema, esta mensagem, este suspiro amigo. 


Ela dança, ora vacila, ora balança
Ela é passional mas fala como se fosse racional
Age de maneiras ambíguas e se convence de que é pragmática
Ela berra, chora grita mas não sabe se é real ou é a sua imaginação
Não quer ser amparada mas não suportaria não encontrar ninguém que a amparasse
Ela tem um eco
Um vazio
Um buraco
E uma promessa
Íntima e secreta: quer viver em dobro
Tudo e todos, de novo e de novo
Os invertebrados podem trocar de pele quando o seu corpo cresce
Mas ela precisa comprimir o seu interior, no seu corpo de menina
Ela tem duas vozes, ela tem duas vidas, ela tem dois corações que se fundiu em um
Deve ser por isso que sente tanto
Ela é impulsiva mas precisa ser contida
Ela é viva mas às vezes precisa se fingir de morta
Mas afinal o que ela deseja com a sua vida bipartida?
Por que não consegue encontrar a paz mesmo com a sua solução pensada, ensaiada e sobretudo convincente?
Ela quer ser menina ou quer ser mulher?
Afinal, o que ela procura?
Afinal, o que ela deseja?
Aliás, como pode encontrar se ela foge às vezes conscientemente, às vezes inconscientemente?
“Quem é a sua família?”, eu pergunto.
“Sou eu. Não, Todos são”, ela responde.
Ela quer queimar, fulgurar, arder em chamas
Ela quer aplacar de qualquer jeito a sua ânsia de viver
Mas eu digo: “garota, não tenha pressa. E mais, não tenha medo.”
O amor que procura lá fora está dentro de você
E ninguém, ninguém no mundo pode mudar e tirar de você
Respire fundo toda vez que o seu desejo gritar mais do que você
E sorria
Ninguém, ninguém no mundo pode ser maior que você.

domingo, setembro 9

Domingo


Domingo. O dia da semana em que parece que a composição do ar muda. Não sei, talvez as moléculas de oxigênios fiquem mais espaçadas. Cansadas de vivirem pertos demais. Consequentemente, nós que respiramos esse ar, também ficamos mais espaçados por dentro? Deve ser por isso que no domingo dá uma preguiça danada. Mas é um bom dia para andar. Sentir a vida mais espaçada também. Porque na segunda tudo aperta de novo. Principalmente o coração.
Nick Farewell 

terça-feira, agosto 28

70'





Minhas calças largas estavam arrastando no chão de tanto sono, me senti um pouco embriagada de paz e amor. Apesar da vontade de fazer um rock no colchão, corri para me ajeitar e por o pé na estrada. Fiz a minha mochila e fui para beira da estrada, pegar uma carona ou qualquer coisa. 
Baforei frio e sentei-me na beira do mar. Fiquei esperando uma embarcação para o paraíso. Os meus fones de ouvido berravam Beatles, The Police, Jimmi e Janis.. Uma felicidade me invadiu ao ter consciência da humanidade progressista e tive vontade de instalar a paz em Moçambique. 
Um fusca colorido passou atrás de mim avisando que o barco estava próximo de partir. Peguei meu cachecol, limpei a barra tala larga e segui viagem. Estava com a sensação de ter acordado tão anos 70. 

We are Africa!


quinta-feira, agosto 23

Vale a pena


Abdicar da ansiedade vale a pena
Deixar a mente esvair e não pensar em coisas tão pequenas
É, vale a pena

Sentir o vento envolver o corpo
Afundar os pés na areia e sentir a pele arrepiar,
Vale a pena!

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena 
Fernando Pessoa 

Do fundo do meu coração...


Fico impressionada todas as vezes que assisto a versão desta música, com a Adriana Calcanhoto. É de uma emoção absurda. Letra e música maravilhosas. 

Eu, cada vez que vi você chegar, me fazer sorrir e me deixar. Decidido, eu disse nunca mais, mas, novamente estúpido provei desse doce amargo quando eu sei cada volta sua o que me faz. Vi todo o meu orgulho em sua mão deslizar, se espatifar no chão. Vi o meu amor tratado assim. Mas, basta agora o que você me fez. Acabe com essa droga de uma vez, não volte nunca mais pra mim. 
Mais uma vez aqui, olhando as cicatrizes desse amor. Eu vou ficar aqui e sei que vou chorar a mesma dor. Agora eu tenho que saber o que é viver sem você. 
Eu, toda vez que vi você voltar, eu pensei que fosse pra ficar. E mais uma vez falei que 'sim'. Mas, já depois de tanta solidão do fundo do meu coração, não volte nunca mais pra mim. 
Mais uma vez aqui olhando as cicatrizes desse amor, eu vou ficar aqui e sei que vou chorar a mesma dor. Se você me perguntar se ainda é seu todo o meu amor, eu sei que eu certamente vou dizer que 'sim'. Mas, já depois de tanta solidão do fundo do meu coração não volte nunca mais pra mim. Do fundo do meu coração, não volte nunca mais pra mim. 

Do fundo do meu coração, Erasmo e Roberto Carlos 

segunda-feira, agosto 20

A pomba do Nakaren


"Uma vez, eu contratei um Buffet para fazer uma festa de aniversário para o meu filho Gabriel. Meu pai não pôde estar presente neste aniversário, pois estava trabalhando em outro estado. Como a anfitriã da festa, em toda mesa que passava, tinha que me sentar e tomar alguma coisinha “vem senta aqui com a gente” e ia assim foi de mesa em mesa...
A festa era do meu filho, eu tinha que dar atenção para todos. Eram copinhos pequenos, do tipo de pinga... Dois goles em cada mesa... Em cada mesa um sabor diferente... Estávamos servindo de tudo – menos wisk -, até vinho tinha. Eu bebi tudo! E acabou sendo um dos porres da minha vida sem querer.
O mágico estava lá, fazendo as mágicas dele muito bem... Ótimo, maravilhoso, afinal, ele havia sido contratado para isso. Quando então, ele tira a pomba da cartola! Pra quê?! 
Eu queria porque queria comprar a pomba do mágico! Os meus filhos gostaram muito da pomba, principalmente o Gabriel que adora ave, né... Eu disse para o mágico: “Me dá o teu preço! Eu pago qualquer preço pela tua pomba.” Meu filho queria e eu ia dar para ele de aniversário. Eu perturbei a vida do Nakaren, pois eu queria comprar a pomba dele. 
No final da festa, tentaram me dar um banho para curar meu porre.  E na tentativa de me darem um banho, eu disse que não ia tirar a roupa, pois o meu pai ia ver... Como iam tirar a roupa para me dar banho e meu pai ia ver me sem roupa???
Meu pai nem no Rio estava... E eu querendo a pomba do mágico! "

Contos de Vidas, com Márcia Reis 

A mulher de 30 anos

Por Honoré de Balzac 


Ela perde o frescor juvenil, é verdade. Mas também o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer da vida, de si mesma e de um homem. Não sustenta mais aquele ar ingênuo, uma característica sexy da mulher de 20. Só que isso é compensado por outros atributos encantadores que reveste a mulher de 30. 
Como se conhece melhor, ela é muito mais autêntica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com seu homem. Aos 30, a mulher tem uma relação mais saudável com o próprio corpo e orgulho da sua vagina, das suas carnes sinuosas, do seu cheiro cítrico. Não briga mais com nada disso. Na verdade, ela quer brigar o menos possível. Está interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorando o que for feio e baixo - astral. Quer é ser feliz. Se o seu homem não gosta dela do jeito que é, que vá procurar outra. Ela só quer quem a mereça. 

Aos 30 anos, a mulher sabe se vestir. Domina a arte de valorizar os pontos fortes e disfarçar o que não interessa mostrar. Sabe escolher sapatos e acessórios, tecidos e decotes, maquiagem e corte de cabelo. Gasta mais porque tem mais dinheiro. Mas, sobretudo, gasta melhor. E tem gestos mais delicados e elegantes. 

Aos 30, ela carrega um olhar muito mais matador quando interessa matar. E finge indiferença com muito mais competência quando interessa repelir. Ela não é mais bobinha. Não que fique menos inconstante. Mulher que é mulher,se pudesse, não vestiria duas vezes a mesma roupa nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor. Mas, aos 30 ela,já sabe lidar melhor com esse aspecto peculiar da sua condição feminina. E poupa (exceto quando não quer) o seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a atingiam e quem mais estivesse por perto, irremediavelmente. 
Aos 20, a mulher tem espinhas. Aos 30, tem pintas, encantadoras trilhas de pintas, que só sabem mesmo onde terminam uns poucos e sortudos escolhidos.
Sim, aos 20 a mulher é escolhida. Aos 30, é ela quem escolhe. E não veste mais calcinhas que não lhe favorecem. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exata.
A mulher de 30, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome. Aos 30, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estabanada. Até seus dentes parecem mais claros; seus lábios, mais reluzentes; sua saliva, mais potável. E o brilho da pele não é a oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade.
Aos 20 ela rói as unhas. Aos 30, constrói para si mãos plásticas e perfeitas. Ainda desenvolve um toque ao mesmo tempo firme e suave. Ocorre algo parecido com os pés, que atingem uma exatidão estética insuperável. Acontece alguma coisa também com os cílios, o desenho das sobrancelhas, o jeito de olhar. Fica tudo mais glamouroso, mais sexualmente arguto.
Aos 30, quando ousa, no que quer que seja, a mulher costuma acertar em cheio. No jogo com os homens já aprendeu a atuar no contra - ataque. Quando dá o bote é para liquidar a fatura. Ela sabe dominar seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra a sua força na hora certa e de forma sutil.
Não para exibir poder, mas para resolver tudo ao seu favor antes de chegar ao ponto de precisar exibi-lo. Consegue o que pretende sem confrontos inúteis. Sabiamente, goza das prerrogativas da condição feminina sem engolir sapos supostamente decorrentes do fato de ser mulher.

sexta-feira, agosto 17

Aceitação do inaceitável


            Todos sabem do que se trata, sabem que não está certo, sabem que tem que mudar, sabem que assim não pode ficar. Todos sabem que é ilícito, sabem que o dinheiro sai dos nossos bolsos e que poderia estar salvando vidas e mudando o cenário do país. Falta educação, qualidade de vida e segurança. O trânsito é um caos, a saúde é um buraco negro e insistimos chamar o ilegal de informal.
            A existência dos paraísos fiscais, dinheiro na cueca e mensalão, todos sabem. A negligência pública, desvios de verbas e mansões no litoral, todos sabem. Todos sabem os altos números de mortalidade infantil, analfabetismo e criminalidade.
            E por que não mudar? Por que não fazer? Por que não agir? Com que régua se mede o valor de uma vida? E das vidas? As vidas que todos os dias são perdidas pelas cidades de um país tão maravilhoso... Que perdem seu valor nas estradas em pequenos corpos explorados sexualmente... Que desaprendem a sonhar ofuscado pela pobreza...
            Está faltando ação. Está faltando o barulho. Aquele barulho que fazemos pelo gol no futebol, precisa ser feito pela educação. É preciso gritar pela qualidade de vida. Afinal, como ir bem num país que vai mal?
            Menos pão e circo e mais cidadania. Quanto vale o tempo que ficamos em frente à TV? Quanto vale a nossa inércia quebrada? O alcance da sua voz vai depender da sua força de vontade. Depende de nós revertermos esse quadro. O país vai ser o que dele nós fizermos e nossas atitudes diárias, as mais singelas, já fazem grande diferença. Todos sabem e todos precisam agir. É preciso agir!  Vamos fazer juntos?



quinta-feira, agosto 16

Se eu quiser falar com Deus...


Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós, tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz, tenho que encontrar a paz, tenho que folgar os nós dos sapatos, da gravata, dos desejos, dos receios.
Tenho que esquecer a data, tenho que perder a conta, tenho que ter mãos vazias, ter a alma e o corpo nus..
Tenho que aceitar a dor, tenho que comer o pão que o diabo amassou, tenho que virar um cão,
Tenho que lamber o chão dos palácios, dos castelos suntuosos do meu sonho.
Tenho que me ver tristonho, tenho que me achar medonho e apesar de um mal tamanho alegrar meu coração.
Tenho que me aventurar, tenho que subir aos céus sem cordas pra segurar, tenho que dizer adeus, dar as costas,
Caminhar decidido pela estrada que ao findar vai dar em nada, nada, nada, nada, nada do que eu pensava encontrar!




Gilberto Gil, 1980

segunda-feira, agosto 13

Conchinha do mar


Me fiz vento para acariciar o seu rosto nos entardeceres, e assim, pude arrepiar tua pele e envolver teu corpo todo. E quando muito presente eu estava, você se escondia dizendo ter frio.
Me fiz sol para iluminar o seu dia e apresentá-lo com as mais belas paisagens. Fazendo suas manhãs amenas e seu fim de tarde colorido. E quando irradiava alegria, você fugia pedindo sombra.
Me fiz nuvem para enfeitar o teu céu e sombrear o teu dia, formando desenhos de algodão e brincando com os raios de sol e transformar o céu em aquarela. E quando me chocava comigo mesmo, eu aparentava chuva e você corria com medo de se molhar.
Me fiz árvore para ser teu pouso e descanso sereno. Na Primavera eu enfloreci, para demonstrar meu amor em cores e perfumes. No Verão era sombra para os teus dias de Sol. Outono, me misturava com o vento e chegava em qualquer canto que você estivesse para não te deixar sozinha. Te oferecia sombra e frutos frescos com os melhores sabores que podia inventar. E ainda assim, você arrumava algum jeito de preferir algo mais.
Voltei a minha forma real, concha do mar, e para beira da praia fui à espera de ser carregado por uma onda. Já sem saber o que fazer para ter você por perto e sem esperanças de te conquistar. E nessa espera desalmada, você me aparece de pés descalços me escolhe e faz pingente, transformando-me em amuleto, me deixando enfeitar teu peito e  bem perto de teu coração. 

Bom dia, dia.


Bom dia, Segunda-feira. 

quinta-feira, agosto 9

Direito de explosão


O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de foda-se! que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? O foda-se! aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Me liberta. Não quer sair comigo?

Então foda-se!. Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!. O direito ao foda-se! deveria estar assegurado na Constituição Federal.


Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

Prá caralho, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que Prá caralho? Prá caralho tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas prá caralho, o Sol é quente prá caralho, o universo é antigo prá caralho, eu gosto de cerveja prá caralho, entende? No gênero do Prá caralho, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso Nem fodendo!. O Não, não e não! e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade Não, absolutamente não! o substituem.

O Nem fodendo é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral?
Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo Marquinhos presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicinio.

Por sua vez, o porra nenhuma! atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um PHD porra nenhuma!, ou ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!. O porra nenhuma, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos aspone, chepone, repone e mais recentemente, o prepone – presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. / Pense na sonoridade de um Puta-que-pariu!, ou seu correlato Puta-que-o-pariu!, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer puta-que-o-pariu! dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso vai tomar no cu!? E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai tomar no olho do seu cu!. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus uando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: Chega! Vai tomar no olho do seu cu!.

Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: Fodeu!. E sua derivação mais avassaladora ainda: Fodeu de vez!. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? Fodeu de vez!.

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se …
Millôr Fernandes

segunda-feira, agosto 6

Tudo o que não se imagina


Fiquei pensando nos meios. Pensei nessas voltas que a vida dá e esses caminhos que a gente segue com passos mansos e inseguros. Pensei nas pegadas que eu ando deixando na trilha que escolhi para seguir. 
É engraçado como nós andamos, andamos e andamos e muitas vezes voltamos para o mesmo lugar. Muitas vezes tentamos provar para nós mesmos o contrário de coisas que já estão mais do que na cara. E passa na nossa cabeça "É, realmente tinha de ser assim". E foi. E é. 
Posso dizer que hoje vivo o inimaginável. E isso, por incrível que pareça, é mais próximo do que eu podia imaginar do que eu pensei (risos). Cada momento com sua magia, cada história com sua peculiaridade, cada sentimento com sua emoção, calor e sintonia. 
Vá dizer que existe coisa melhor do que um dia tranquilo, uma música boa e gente que se ama por perto? E se isso é o que devemos prezar na vida, pra quê levar tudo tão a sério... Pra quê encarar o mundo com olhos embaçados e preconceitos loucos? Se a gente só pode dar um passo de cada vez, de nada adianta se preocupar com o depois de amanhã. 
Tô aprendendo tanta coisa nesses caminhos que ando percorrendo. Estou vendo tantos ângulos e vivenciando tantas experiências bacanas. Conhecendo gente, compartilhando ideias, sentindo a flor da pele, deixando-me ser levada pelo rio... 
Eu, que sou nova e tenho tanto a viver, tenho nesse momento algo tranquilo dentro de mim e isso me possibilita sorrir. Acho que é isso que importa. Essas coisas simples do dia-a-dia que muitas vezes não nos permitimos observar. Vale a pena, vale a pena. 

domingo, agosto 5

Só o agora


Sim, eu estou com medo. 
Parece que não chega o momento de colocar a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. É uma espera infindável que aperta todas as minhocas da cabeça e do estômago. É um relógio parado que desperta uma ansiedade sem fim. 
Respira. Agora. É só isso. O presente. Tudo o que temos. Respira. Agora. 

sexta-feira, agosto 3

Recomeço.

Regresso para onde vivi meus melhores anos. Para onde aprendi a andar, e me apaixonei pela primeira vez. Volto para o ninho, para o abraço paterno. Regresso, com uma mala cheia de sonhos a construir. Com uma alegria sem fim e vontade de construir juntos. Um sentimento de agregação, querência e bem estar. Carrego nas malas uma força de vontade sem igual e disposição para enfrentar os desafios! 

terça-feira, julho 31

Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.

Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais.
Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. 
“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha".


Fernando Pessoa 

domingo, julho 29

Prelúdio

E meu pai que sempre remetia o grande Raul a me dizer "Sonho que se sonha junto é realidade!". Foi ele que me mostrou caminhos limpos para uma vida linda e amena. Foi ele que me disse para viver tudo o que há para viver. Me instruiu precaução, me mostrou ingenuidade e confiança. E mais uma vez, sonho que se sonha junto é realidade. 
(Foto: Karen Garcia)

terça-feira, julho 24

Respirar


Respirar pela manhã. Nada como acordar cedo e se permitir esvair com um cenário deste! 
Mirante - Vila do Abraão - Ilha Grande - Angra dos Reis - RJ, 24 de julho de 2012.
(Foto: Karen Garcia) 

Complementares


Ela sonha com a liberdade, eu sinto falta do colo e do berço. Ela quer um príncipe encantado, eu tampouco pratico apego. Ela quer certeza das coisas e eu vou vivendo a incerteza de cada dia. 

sexta-feira, julho 20

Porto seguro

Quando as coisas não saem da maneira planejada
Para onde se volta? 

Quando os sonhos parecem ser loucos e ogros 
Será que os loucos somos nós? 
(Jamais, são eles os ogros. Ogros por não acreditarem e temerem!) 

E quando falta o colo? 
Pra onde a gente corre? 


quinta-feira, julho 19

Mr. Brightside


As pessoas dizem que tenho cara disso e daquilo. Bom, sou mais careta do que o destino ironizou. Filha de loucos, apadrinhada por uma vida insegura e caminho tortuosos, poderia ser um furacão. Me acho passional demais para isso. Mas na verdade, eu posso ser o que quiser, quando quiser. Posso experimentar todos os venenos e provar diversos sabores, sem me viciar ou apegar. Posso ir e vir sem muitas dores e arranhões. Eu sou assim. 

Tão pouco

Nessa de tanto tentar fazer, nada faço. Nessa de querer estar em todos os lugares, não me encontro em nenhum lugar. E quando me pego no momento presente, o silêncio me inquieta. 
Mas assim é bom. Esse quarto escuro, o barulho da chuva, o frio lá fora e algum alarme de carro tocando ao longe. 

Ai se sêsse

Se um dia nois se gostasse... Se um dia nois se queresse... Se nois dois se empareasse... Se juntim nois dois vivesse.... Se juntim nois dois morasse... Se juntim nois dois drumisse... Se juntim nois dois morresse... Se pro céu nois assubisse, mas porém acontecesse de São Pedro não abrissea porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice... E se eu me arriminasse e tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse... E a minha faca puxasse e o bucho do céu furasse... Tarvês que nois dois ficasse... Tarvês que nois dois caisse e o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse. 

O que é bonito?


O que é bonito, é o que persegue o infinito mas eu não sou. Eu não sou, não... Eu gosto é do inacabado. O imperfeito, o estragado que dançou. O que dançou...
Eu quero mais erosão, menos granito. Namorar o zero e o não. Escrever tudo o que desprezo e desprezar tudo o que acredito. Eu não quero a gravação, não... Eu quero o grito que a gente vai, a gente vai e  fica a obra. Mas eu persigo o que falta, não o que sobra. 
Eu quero tudo que dá e passa. Quero tudo que se despe, se despede e despedaça. O que é bonito...

quarta-feira, julho 18

Andei revirando fotos. Achei algumas coisas que me fizeram sorrir. E outras, me fizeram chorar. Lembrei de outros gostos, outros lugares, outros tempos.

O dia em que virei boneca

Percebi, logo ao amanhecer
Que havia perdido o movimento dos olhos.
Para frente, era a única direção que eles conheciam.
Agora eu só olhava adiante.
Fui tomar banho e notei, sem muita emoção,
Que minha pele já não absorvia a água com tanta facilidade.
Acho que perdi a capacidade de sentir na pele. 
A falta de sangue me deixou mais reciclável e fria, 
Alguns nutrientes a menos me embaraçaram mais os cabelos…
Cabelo… Sempre foi a minha parte menos desartificial,
Sempre foi meu parque de diversões nos dias de tédio. 
Abri meu guarda-roupas e uma novidade confortante:
Agora eu só tenho um vestido. 
Um amarelo estampado, com renda no final, como deveria ser a vida. 
Não preciso escolher o que vestir. 
Só preciso escolher entre me vestir, ou não. 
Pela primeira vez na vida, não tenho um dono. 
Tenho hora para o chá, tenho uma prateleira e, às vezes, 
Por pouco tempo, pego poeira. 
Mas nunca mais fui obsoleta. 
Sempre existe alguém enxergando diversão em mim. 
Uma vez que saí da embalagem, minha vida é criar memórias. 
Todo mundo “amava aquela boneca”. 
Agora muita gente já me amou, até no futuro. 
Sou pouco articulada, mas não me preocupo com as cutículas. 
Minha maçã é rosada, algumas pessoas vão me achar ridícula. 
Mas, meu rosto agradavelmente só me permite sorrir. 
Sorrir e olhar para frente. 
Amar quem atropelar meu olhar, e saber ser memória. 
Aprendi a ser memória. 
Foi esse o dia em que virei boneca

quinta-feira, julho 12

O sorriso do Sol


O Sol sorriu um pouco mais e assim, as nuvens perderam a timidez e foram passear. O azul do céu se resplandeceu e o sol irradiou. E assim, o dia viveu feliz. 

domingo, julho 8

Preciso me encontrar

(Foto: Guilherme Reis) 


Deixe-me ir, preciso andar.. Vou por aí a procurar rir prá não chorar.
Deixe-me ir, preciso andar.. Vou por aí a procurar rir prá não chorar..
Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar. Eu quero nascer, quero viver...
Mestre Cartola