quinta-feira, novembro 29

O amor

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
- Fernando Pessoa 

Eu preciso encontrar um amor, que me deixe arrasado na cama. Um amor que desperte um desejo, um amor que me cale com um beijo, um amor que mova montanha. 

Um amor que não tenha capricho, um amor que me jogue no lixo, um amor que me pegue de jeito. 
- Chiclete com Banana , eu quero esse amor.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
– Luís de Camões  

Eu te amo porque te amo, 

Não precisas ser amante, 
e nem sempre sabes sê-lo. 
Eu te amo porque te amo. 
Amor é estado de graça 
e com amor não se paga.
– Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, novembro 20

Estrela, brilha!

Quero que saiba, acima de tudo, você é linda.
É lindo a maneira como você cuida dos outros e vê o mundo.
Queria também que soubesse que eu acredito em você. Mas isso não basta, você precisa acreditar em si.

segunda-feira, novembro 19

Amorosidade


Dizem que falta amorosidade entre as pessoas nos dias de hoje. O que exatamente isso significa?
Por Eugenio Mussak

-Há dois tipos de pessoas no mundo. As que vivem em estado de egoísmo e as que vivem em estado de amor.
Faz muito tempo que eu escutei essa ponderação de uma pessoa muito amorosa, inteligente e uma pianista excepcional: a professora Adelaide Moritz, minha mestra na música e na vida. Nunca me esqueci de sua análise por dois motivos: porque ao colocar “estado de” antes dos substantivos egoísmo e amor, ela criou uma nova classificação da condição humana; e porque ela qualificou o egoísmo como o antônimo de amor, e não o ódio, como seria de esperar.
Ela fez isso porque não se referia ao amor em si, e sim à condição de amar como um jeito de ser. É quase uma filosofia viver em estado de amor, o mesmo que estar conectado com o mundo por um cordão de luz, que ilumina as relações e as torna sempre agradáveis, independentemente de serem afetivas, familiares ou profissionais.
Por outro lado, viver em estado de egoísmo seria o mesmo que criar um cordão de isolamento que afasta as pessoas e condena seu “usuário” a uma vida pobre de espírito e curta de esperança. Viver em egoísmo significa querer só para si, não compartilhar, desconsiderar as necessidades e os sentimentos alheios. Ser um habitante do estado de egoísmo é o mesmo que declarar guerra ao mundo, usando como armas as palavras duras, a desconfiança permanente, o desrespeito latente.
Todos conhecemos pessoas dos dois tipos, mas vou falar aqui do primeiro jeito de ser, claro. Das pessoas que, por índole e por opção , vivem em amorosidade, o que não significa que não possam ser duras se isso for necessário para reinstalar a ordem no mundo ao seu redor. Lembro que a professora Adelaide era amada por seus alunos até quando, exigente, mostrava que não estava satisfeita com o desempenho deles. Pessoas amorosas são assim, são amadas porque são amorosas e são amorosas porque não têm medo de ser amadas. Há quem diga que amar é fácil e que ser amado é difícil. Os verdadeiramente amorosos deixam aberto o caminho nos dois sentidos.
Mas é importante esclarecer que ser digno de amor não é ser bonzinho, certinho, modesto e gentil para fazer amigos e influenciar pessoas. Isso é ser polido, amável. “A polidez é um simulacro da moral”, afirma o filósofo André  Comte-Sponville, que se seu ao trabalho de escrever o Pequeno Tratado das Grandes  Virtudes.
Ele afirma que agir de modo amável não é ser amoroso, mas é um bom começo. A esperança é que da polidez surja o nobre sentimento, mas nada é certo. Ao preencher o amor que lhe falta, por hábito ou por educação, a moralidade pode virar amorosidade, seu estado mais alto. Ao atingir esse auge, as virtudes se dissolvem e viram uma só, passando a ser praticadas sem artifício, ao natural, com amor verdadeiro.
Segundo essa visão, viver em estado de amor pode ser uma opção, algo que pode ser desenvolvido conscientemente, uma atitude que começa na mente e acaba instalando no coração um novo jeito de ser. E o mundo agradece por isso.

quarta-feira, novembro 14

ψυχαδερφή


Em um futuro não distante, pode ser que eu bata à sua porta aí do outro lado do mundo só para dizer Oi.

On the subway



Uma cidade. Seis milhões de pessoas. Cento e sessenta e um bairros.
Ruas, metrôs, ônibus, vielas. 
Um encontro inesperado. Uma pessoa e um comentário fútil. 

É de dar risada e partir o coração.
É de dar risada e de cuspir no chão. 

segunda-feira, novembro 12

Outubro, 2012


Faz pouco mais de um mês que eu resolvi mudar. Sim, eu larguei tudo. Mais uma vez. 
Em menos de uma semana, estava eu em uma nova cidade, reconstruindo sonhos e refazendo planos. Uma mochila cheia de esperança, um bolso com pouca grana e um coração bem aberto para as novas oportunidades. Mais uma vez eu me joguei de cabeça e resolvi dar chance para mim. Pensando em mim. 
Não é questão de egoísmo ou qualquer coisa do tipo. Dizem que a gente só pode cuidar do outro, quando primeiramente cuida de si e é preciso estar bem para fazer o bem. Foi isso que eu vim fazer.. Eu não sabia muito bem atrás do que estava vindo, mas vim. Dei minha cara a tapa, vim me permitir. 



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Na primeira semana, quando eu coloquei meu pé no chão e me perguntei "Que diabos realmente eu vim fazer aqui?", quando o dinheiro estava quase no final e eu não tinha ideia de que rumo eu ia tomar. Afinal, eu tinha um trabalho, estava  na casa de amigos e tinha pouco mais de duzentos reais. Em pouco tempo, as coisas clarearam na minha cabeça e eu comecei a correr atrás de um lugar para mim. Em duas tentativas fracassadas, uns calotes recebidos, acabei encontrando por acaso o lugar em que me encontro hoje. 


O quarto não é grande e ainda não tem a minha cara. A não ser pela bagunça ocasional que faço antes de ir para o trabalho e acaba se acumulando quando volto cansada e resolvo dormir. 

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Me esforço para acordar cedo. Existe algo que me impossibilita levantar quando o despertador toca. Nas inúmeras tentativas de trocar o toque, cheguei ao ponto de selecionar o canto de um galo. Não funciona.
Quando penso que vou conseguir acordar cedo e participar das refeições comuns, estou enganada. Confesso conseguir este feito ocasionalmente, mas não sempre. Não mais que duas vezes por semana. 

No caminho para o escritório, quase chegando. Tem um muro alto, com grade mais em cima. E de lá, ficam cãezinhos cantando uma musica de cachorro. Todo dia, sem hora marcada.. Eles fazem graça. 


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As vezes me pego no terraço, agradecendo ao Papai do Céu e sentindo saudade de pessoas. Matutando sobre coisa ou outra. Respirando vida. Amém. 


sábado, novembro 10

terça-feira, novembro 6

O meu amor, Chico Buarque.



O meu amor tem um jeito manso que é só seu e que me deixa louca quando me beija a boca. A minha pele toda fica arrepiada e me beija com calma e fundo até minh'alma se sentir beijada... O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes. Depois brinca comigo, ri do meu umbigo e me crava os dentes. Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz! Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que me deixa maluca, quando me roça a nuca. E quase me machuca com a barba mal feita e de pousar as coxas entre as minhas coxas quando ele se deita. 
O meu amor tem um jeito manso que é só seu, de me fazer rodeios, de me beijar os seios, me beijar o ventre e me deixar em brasa... Desfruta do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa.  
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz! Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz! 

sábado, novembro 3

Caminho





Me guio pelos trilhos 
Ida e volta 
Em cada esquina tem uma cor diferente 
Cada canto uma história para contar