quinta-feira, agosto 9

Direito de explosão


O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de foda-se! que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? O foda-se! aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Me liberta. Não quer sair comigo?

Então foda-se!. Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!. O direito ao foda-se! deveria estar assegurado na Constituição Federal.


Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

Prá caralho, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que Prá caralho? Prá caralho tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas prá caralho, o Sol é quente prá caralho, o universo é antigo prá caralho, eu gosto de cerveja prá caralho, entende? No gênero do Prá caralho, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso Nem fodendo!. O Não, não e não! e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade Não, absolutamente não! o substituem.

O Nem fodendo é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral?
Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo Marquinhos presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicinio.

Por sua vez, o porra nenhuma! atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um PHD porra nenhuma!, ou ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!. O porra nenhuma, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos aspone, chepone, repone e mais recentemente, o prepone – presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. / Pense na sonoridade de um Puta-que-pariu!, ou seu correlato Puta-que-o-pariu!, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer puta-que-o-pariu! dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso vai tomar no cu!? E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai tomar no olho do seu cu!. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus uando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: Chega! Vai tomar no olho do seu cu!.

Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: Fodeu!. E sua derivação mais avassaladora ainda: Fodeu de vez!. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? Fodeu de vez!.

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se …
Millôr Fernandes

segunda-feira, agosto 6

Tudo o que não se imagina


Fiquei pensando nos meios. Pensei nessas voltas que a vida dá e esses caminhos que a gente segue com passos mansos e inseguros. Pensei nas pegadas que eu ando deixando na trilha que escolhi para seguir. 
É engraçado como nós andamos, andamos e andamos e muitas vezes voltamos para o mesmo lugar. Muitas vezes tentamos provar para nós mesmos o contrário de coisas que já estão mais do que na cara. E passa na nossa cabeça "É, realmente tinha de ser assim". E foi. E é. 
Posso dizer que hoje vivo o inimaginável. E isso, por incrível que pareça, é mais próximo do que eu podia imaginar do que eu pensei (risos). Cada momento com sua magia, cada história com sua peculiaridade, cada sentimento com sua emoção, calor e sintonia. 
Vá dizer que existe coisa melhor do que um dia tranquilo, uma música boa e gente que se ama por perto? E se isso é o que devemos prezar na vida, pra quê levar tudo tão a sério... Pra quê encarar o mundo com olhos embaçados e preconceitos loucos? Se a gente só pode dar um passo de cada vez, de nada adianta se preocupar com o depois de amanhã. 
Tô aprendendo tanta coisa nesses caminhos que ando percorrendo. Estou vendo tantos ângulos e vivenciando tantas experiências bacanas. Conhecendo gente, compartilhando ideias, sentindo a flor da pele, deixando-me ser levada pelo rio... 
Eu, que sou nova e tenho tanto a viver, tenho nesse momento algo tranquilo dentro de mim e isso me possibilita sorrir. Acho que é isso que importa. Essas coisas simples do dia-a-dia que muitas vezes não nos permitimos observar. Vale a pena, vale a pena. 

domingo, agosto 5

Só o agora


Sim, eu estou com medo. 
Parece que não chega o momento de colocar a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. É uma espera infindável que aperta todas as minhocas da cabeça e do estômago. É um relógio parado que desperta uma ansiedade sem fim. 
Respira. Agora. É só isso. O presente. Tudo o que temos. Respira. Agora. 

sexta-feira, agosto 3

Recomeço.

Regresso para onde vivi meus melhores anos. Para onde aprendi a andar, e me apaixonei pela primeira vez. Volto para o ninho, para o abraço paterno. Regresso, com uma mala cheia de sonhos a construir. Com uma alegria sem fim e vontade de construir juntos. Um sentimento de agregação, querência e bem estar. Carrego nas malas uma força de vontade sem igual e disposição para enfrentar os desafios! 

terça-feira, julho 31

Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.

Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais.
Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. 
“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha".


Fernando Pessoa